29/05/2009

Cobertura das chuvas segue sem articulação


A organização das informações sobre as chuvas e seus estragos no Norte e Nordeste do país continua deixando a desejar no UOL.

 

Reportagens importantes perdem visibilidade, não são ligadas uma a outra e não há uma página interna que reúna as informações disponíveis no portal, de várias fontes.

 

Os leitores reclamam, com razão.

 

Organizar as informações e atualizar dados passo a passo durante coberturas longas é um dos maiores desafios para grandes sites noticiosos como o UOL.

 

A reportagem "Chuvas matam 56 pessoas e atingem quase 500 municipios"  , publicada as 19h35 desta sexta, tem pequena chamada na home page de UOL Notícias.

 

A reportagem "Governo do Piauí vai liberar R$ 750 mil para municípios atingidos por enxurrada",  na home page do portal as 21h50 desta sexta, não tem link para o vídeo com o rompimento da barragem, nem para temas relacionados.

Pouca exposição para a vitória de Castroneves


Os leitores Victor, Ricardo, Ayrton e José escreveram para a ombudsman na segunda-feira, 25, reclamando da ausência de registro da vitória do piloto Helio Castroneves nas 500 milhas de Indianápolis, no último dia 24 de maio.


A reportagem foi publicada, mas não foi vista por eles.


“É realmente triste que o UOL não dê a devida importância à vitória brasileira nas 500 milhas de Indianápolis ao piloto Castroneves em especial”, disse Victor.


“Confesso que fiquei desagradavelmente surpreso com a página inicial do site, que não dedicou uma única linha ao tricampeonato de um brasileiro, o piloto Hélio Castroneves, no centenário da corrida mais famosa de todo o Mundo, as 500 milhas de Indianápolis, considerado o segundo evento esportivo mais assistido em todo o planeta (perde apenas para a final da Copa do Mundo de Futebol), com cerca de 4 bilhões de espectadores”, disse o leitor Ricardo.


O leitor Ayrton também destaca a importância da corrida: “Acho uma terrível falta de consideração do UOL ao não noticiar nada sobre as 500 milhas de Indianápolis. Esta é a corrida mais famosa, histórica e difícil do mundo. São 3h30 de prova. Uma média de velocidade em torno de 70% maior do que a F 1. E muito mais emocionante. O Hélio venceu; na largada, dos oito primeiros, quatro eram brasileiros e nenhuma notícia o UOL dá. Quem gosta de corridas quer ver e saber de todas e não somente de uma. Por favor, revejam seus critérios”.


A vitória do piloto foi noticiada pelo UOL em sua home page com foto, no dia 24, a partir das 18h e pelo menos até as 22h do dia 24.


 

 

 

 

A notícia também ficou na home page do portal no dia 25, das 0h as 8h da manhã, numa caixa dedicada a Esporte.

 

 

 

Ao ser informado sobre a existência da notícia e do destaque na home page do UOL, o internauta Victor argumentou: “Veja que os horários que o UOL pôs no ar são os não comerciais. Domingo, das 18h em diante, e depois das 0hs às 8hs na segunda são horários para notívagos ou desempregados. Para os consumidores normais, o UOL enaltece um segundo lugar da Fórmula 1.  A vitória de um brasileiro nas 500 milhas é fato notável e provoca uma admiração reverencial ao vencedor nos EUA, enquanto isto UOL se preocupa com Fórmula 1, evento decrépito tomado pelo marketing das montadoras”.


De fato, o intervalo entre as 0h e as 8h da segunda tem audiência mais baixa que o do restante do dia. Mas a audiência das 18h as 22h do domingo não é nada desprezível.  Na noite do dia 25, o tema voltou, depois das 22h e até as 8h do dia 26, mas o assunto era o prêmio recebido pelo piloto.


Somando tudo, considero que a notícia da vitória deveria ter ficado por mais tempo exposta na segunda-feira.

 

 

 

25/05/2009

Cobertura das enchentes

No dia 15 de maio, a internauta Andrea perguntou à ombudsman:


"Gostaria de entender o porquê de o UOL não ter dado, às enchentes no Nordeste, o mesmo destaque que deu às enchentes de Santa Catarina.


Aliás, não só o UOL, mas toda a imprensa deu importância mínima a mais esse drama vivido pelos nordestinos.


É triste ver como a imprensa brasileira se comporta de forma preconceituosa e segrega o Brasil por regiões."


O gerente geral de Notícias, Rodrigo Flores, respondeu, no dia 18:


"Não dá para comparar tragédias. Todas são importantes. Mas se ficarmos restritos aos números, a enchente do Norte-Nordeste atingiu mais gente do que em SC. Inclusive fizemos uma matéria sobre isso. O importante é notar que estamos falando agora de sete Estados, entre eles o Amazonas - o maior do Brasil. A enchente em SC foi concentrada em uma região do Estado. Não temos contado com conteúdo colaborativo. Enquanto tivemos centenas de fotos de internautas catarineses, desta vez conseguimos uma ou outra contribuição".


No mesmo dia 18, o internauta Guilherme comentou em mensagem para a ombudsman:


"São 23h40 da noite de segunda-feira, 18 de maio.


Neste momento, vejo os portais de quatro dos maiores jornais brasileiros. Segundo uma informação encontrada nos destaques menores do UOL, 354 mil pessoas espalhadas por 13 estados brasileiros estão desabrigadas por causa das chuvas de maio.


E nos portais dos quatro grandes jornais acima citados não há uma palavra sobre o assunto.


Me pergunto: será que esses 354 mil desabrigados nos 13 estados do Norte e Nordeste brasileiro não merecem tanto destaque nesta noite de segunda-feira?


Caso seja uma questão de critério, por que passamos um mês a fio tendo acesso quase ao vivo a informações sobre Santa Catarina, quando as enchentes de novembro deixaram 80 mil pessoas (um quarto das que hoje estão desabrigdas no Nordeste) sem ter onde morar?


Longe de mim o desejo de afirmar que Santa Catarina não merecia todas as atenções quando a ocorreu a tragédia. Eu também me emocionei ao ver as imagens na televisão, e também visitei meu guarda-roupa para verificar o que poderia ser doado para quem mais precisava naquele momento."


A Redação do UOL recebeu também esta mensagem e respondeu afirmando que o assunto fora manchete da área de UOL Notícias e do portal por diversas oportunidades e que foram feitas reportagens por colaboradores no Maranhão, Amazonas, Bahia e Alagoas.


Ainda que a cobertura tenha melhorado, resta nos leitores como Guilherme a impressão de que há menos destaque para as enchentes do Nordeste.


De acordo com a informação divulgada na sexta-feira 22 pela Secretaria Nacional de Defesa Civil do Ministério da Integração Nacional e publicada também pelo UOL, os desastres das últimas semanas ainda deixam 257.802 pessoas desalojadas (que foram colocadas em abrigos públicos) e 122.126 desabrigadas (transferidas para as casas de amigos e parentes) em 12 Estados do Brasil. 45 pessoas morreram por causa dos desastres em oito Estados: Ceará (15), Maranhão (10), Bahia (7), Alagoas (7), Paraíba (2), Sergipe (2), Pernambuco (1) e Santa Catarina (1).


Em Santa Catarina, as enchentes de novembro e dezembro de 2008 provocaram 137 mortes, 63 municípios decretaram estado de emergência e quase 80 mil pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas. 


Reportagem publicada na quinta, 21, da Agestado, mostra que a impressão não é infundada.


Seriam 299 as cidades afetadas nas regiões Norte e Nordeste. O governo estaria atuando com três helicópteros e três aviões, e as doações da sociedade não teriam alcançado R$ 4 milhões. Nas enchentes de Santa Catarina, teriam sido mobilizados 24 helicópteros, quatro aviões da Força Aérea e as doações somado R$ 34 milhões.


Nesta manhã de segunda, 25, não há menção ao assunto na home page do UOL.

Caso Maisa

 

O UOL tem exibido em sua home page nos últimos dias os lances da história da apresentadora Maisa, com textos de várias fontes entre eles o site "Na telinha", do Jornal do Commercio, de Pernambuco; a coluna "Ooops", de Ricardo Feltrin; a Folha Online; a Folha de S. Paulo e a Redação.

 

No dia 22, acertou ao publicar a reportagem "Maisa chega aos sete anos exposta a situação "constrangedoras e degradantes", da Redação, que contextualizou o assunto, informando que o SBT fora advertido pelo Ministério Público, que os pais da menina foram advertidos pelo conselho tutelar de São José dos Campos e trazendo depoimento de uma psicanalista.

 

A reportagem foi publicada na madrugada do dia 22 e acho que merecia atualização no mesmo dia, depois que foi anunciada a suspensão do quadro "Pergunte pra Maisa", do Programa Silvio Santos, por determinação da Justiça de Osasco.

 

Ainda que não tenha sido atualizada, a reportagem, dentro da estação UOL Celebridades, foi um avanço se comparada a enquete publicada dois dias antes. E que, infelizmente, continua a ser chamada na home page da estação UOL Televisão na manhã desta segunda, 25.

 

O enunciado: "Ultimamente, no "Programa Sílvio Santos", a menina Maisa, de seis anos, foi trancada dentro de uma mala, ficou apavorada ao ver um menino maquiado de monstro e foi chamada de "cagona" por Sílvio Santos. Qual sua opinião em relação a estes últimos episódios?".

 

E as alternativas:

"A responsabilidade é inteirinha dos pais de Maisa e só cabe a eles decidir se ela deve ou não continuar no programa";

"O SBT feriu os direitos da criança e deve ser processado pelo Ministério Público";

"Não só o SBT deve mudar seu comportamento, mas outros programas que abusam da imagem da menina também, como "CQC" e "Pânico na TV";

"Sílvio Santos não quis ferir ninguém. Ele só não tem preparo para lidar com crianças";

"Maisa não parece se importar tanto com o que acontece. Ela deve levar tudo na brincadeira";

 

As duas últimas alternativas são risíveis e, por este motivo, chocam mais. Parecem ter sido colocadas para fazer graça, ou "descontrair" o quadro. Mas no geral, a enquete é um equívoco editorial. Enunciado e alternativas não dão conta da complexidade do tema. Ao contrário disso, dão a impressão de que o UOL considera o assunto como uma outra bobagem qualquer, em que é possível ter uma opinião qualquer, sem pensar muito, sem consequências. Afinal, é tudo "só" TV. Ou "só" internet.

 

Pedi uma opinião para a psicóloga Rosely Sayão. "Eu não sei o que colocaria em uma enquete desse tipo. Na verdade, eu não a faria, porque o assunto e sério".

 

A jornalista Bia Abramo, que já abordou o caso da menina Maisa por duas vezes em sua coluna sobre TV na Folha de S. Paulo, vai na mesma linha: "Em primeiro lugar, tem de se pensar para que serve uma enquete. O UOL já tinha aberto um fórum. Ora, para discutir a questão nesse nível de "achismo", o fórum é mais adequado. Neste caso, em que a questão envolve aspectos legais, psicológicos e midiáticos bastante complexos, fazer uma enquete desse tipo ajuda na simplificação - o que é uma pena".

 

Perguntei também para a colunista o que uma cobertura independente e séria deveria priorizar: "Informação - que é a única coisa que pode, de fato, formar opiniões. Pode vir na forma de reportagem, de opiniões de especialistas - o que diz o ECA ? o que dizem os especialistas da área jurídica em trabalho infantil? o que dizem psicólogos especializados em crianças nessa situação? existe gente que estudou criança nessa situação? Uma cobertura independente e séria deve abrir discussões e não fechá-las".   

 

Dicionários sem reforma


O UOL tem bons textos, serviços, podcasts, videoaulas e explicações sobre o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, firmado por oito países e que passou a vigorar em 1º de janeiro de 2009. O conteúdo está reunido na página Reforma Ortográfica, dentro de UOL Educação. A página tem link na home page do UOL com o nome Nova Ortografia e é bastante consultada diariamente, o que mostra que é um serviço útil.  .

 


Falta, no entanto, o ajuste fundamental, que é a atualização dos dicionários. É este um dos tópicos da mensagem da leitora Cassia para a ombudsman: "Uma das razões para eu seguir com minha assinatura no UOL é o conteúdo ofertado por vocês, especialmente os dicionários. A disponibilidade virtual facilita o trabalho daqueles que produzem textos, como é meu caso. Notei que as consultas recentes que fiz no Houaiss não trouxeram as alterações para o novo acordo ortográfico. Quando vocês pretendem oferecer o novo dicionário?".

 


Os dicionários Houaiss e Michaelis, à disposição para consulta no UOL, ainda estão com as bases de dados sem as devidas alterações.  Na página inicial do Dicionário Michaelis, há um link para o "Guia Prático da Nova Ortografia", mas não há menção para o fato de que a pesquisa feita ali não trará como resultado palavras já modificadas. Na página inicial do dicionário Houaiss, não há menção à reforma.

 


A estação de Educação do UOL traz link para o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa - Volp, a referência das palavras do idioma, que também não está atualizado, mas traz, em sua abertura, a explicação: "Esta versão digital ainda não foi atualizada conforme a nova ortografia em vigor. No momento, a Academia Brasileira de Letras desenvolve uma nova versão do VOLP e, em breve, ela estará disponível nesta seção para consulta.".

 


Questionada no último dia 15 sobre o problema da falta de atualização dos dicionários no UOL, a Redação ponderou que nem as versões em papel dos grandes dicionários estão atualizadas ainda. E não há data prevista para a atualização.

 


Argumentei que uma vez que a atualização não depende do UOL, o portal deveria sinalizar ao público que as respostas às buscas dos dicionários ainda apresentarão verbetes com a grafia antiga, diferenças na hifenação e acentuação.

 


A Redação se comprometeu a priorizar esta sinalização para o público. Dez dias se passaram e ainda encontro as páginas da mesma forma, sem sinalização. Ainda que dependa dos parceiros modificar as páginas dos produtos, o UOL tem uma página de dicionários com as caixas de busca e traz link para as buscas na sua home page. Nestas páginas, é dever do portal inserir uma explicação sobre o fato, dando transparência ao processo.

 

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